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ENVOLVIMENTO PROFISSIONAL ENTRE ADVOGADO E CLIENTE

Com a falta de celeridade, uma das crianças veio a óbito antes de qualquer manifestação judicial.


Dia desses um juiz cearense reprovou firmemente uma advogada que se envolveu sentimentalmente com o caso. Segundo informações ela passou meses tentando atenção do juiz no pedido de guarda de um pai, já que a mãe maltratava os filhos. Com a falta de celeridade, uma das crianças veio a óbito antes de qualquer manifestação judicial. Com o ocorrido a advogada perdeu as estribeiras dentro do fórum e chorando manifestou-se contra o descaso, sendo repreendida firmemente pelo magistrado que questionou sua competência e sua capacidade como advogada, chamando-a de imatura e ingênua.


A OAB se manifestou favorável a advogada e a associação dos juízes, favorável ao magistrado.

Ocorre que um dos princípios basilares dos membros do Judiciário é a imparcialidade. O juiz não deve se envolver sentimentalmente com o caso, já que seu múnus profissional assim o exige. Ele tem de dar uma decisão ao final baseada em questões legais e por vezes costumeiras, sempre distante de seus interesses e vontades pessoais. Entretanto, o advogado, diferentemente do juiz, tem por obrigação profissional ser parcial. Ninguém quer um advogado que não acredite no seu direito, que seja cético em relação aos fatos que você narra. É comum ouvir advogados mais antigos dizerem que os advogados não devem se envolver sentimentalmente nos casos. Sou advogado há 10 anos e ainda não aprendi essa lição.... graças a Deus.


Além dos atributos profissionais como bom conhecimento e raciocínio jurídico, adequados a área de direito que se pretende atuar, o bom profissional tem que acreditar em seu cliente, tem que encontrar os caminhos jurídicos para a defesa dos direitos destes e, diferentemente dos juízes, os advogados podem acolher o cliente, podem protege-los, podem se convalescer da dor destes.


Por vezes clientes ou parentes destes choraram no meu ombro; por vezes despendi horas de conversa para amenizar a dor ou sofrimento de um cliente. O advogado tem de ouvir, tem de compreender, tem de apoiar. Se um advogado não é parcial a seu cliente ninguém mais o será.

Nem sei contar quantas vezes chorei junto a clientes ou parentes desses; nem sei quantas vezes sofri com estes pelas intempéries de um julgamento injusto; nem sei contar quantas vezes acompanhei o sofrimento pela total falta de celeridade do Judiciário, ou do juiz, ou da secretaria, ou de qualquer funcionário ou autoridade pública, que tem por única parcialidade o descaso com o jurisdicionado.


Felizmente, o trabalho de um advogado não é só formado de fracassos e na mesma medida da dor a alegria me invadiu por inúmeras vezes.

Incontáveis vezes me entreguei aos abraços de felicidade de clientes ou parentes destes; por diversas vezes bradei ao sucesso que alcançamos juntos. Ganhei presentes, ganhei agradecimentos e sobretudo ganhei e ganho orações.

Sou um profissional do direito, intenso, sinto e compreendo as dores dos clientes e também com eles desfruto e comemoro as vitórias.

Sinto por aqueles que não podem se envolver e sinto por aqueles que acreditam não poderem se envolver.

A vida é uma coleção de escolhas, permita-se ao envolvimento, ou limite-se a simplesmente ler este texto.


Dr. Lúcio Corrêa Cassilla

Sócio nominal da CAS. Jurídico

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