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DIREITO X SENTIMENTO


Dia desses um juiz cearense reprovou firmemente uma advogada que se envolveu

sentimentalmente com o caso. Segundo informações ela passou meses tentando atenção do

juiz no pedido de guarda de um pai, já que a mãe maltratava os filhos. Com a falta de

celeridade, uma das crianças veio a óbito antes de qualquer manifestação judicial. Com o

ocorrido a advogada perdeu as estribeiras dentro do fórum e chorando manifestou-se contra o

descaso, sendo repreendida firmemente pelo magistrado que questionou sua competência e

sua capacidade como advogada, chamando-a de imatura e ingênua.

A OAB se manifestou favorável a advogada e a associação dos juízes, favorável ao magistrado.

Ocorre que um dos princípios basilares dos membros do Judiciário é a imparcialidade. O juiz

não deve se envolver sentimentalmente com o caso, já que seu múnus profissional assim o

exige. Ele tem de dar uma decisão ao final baseada em questões legais e por vezes

costumeiras, sempre distante de seus interesses e vontades pessoais. Entretanto, o advogado,

diferentemente do juiz, tem por obrigação profissional ser parcial. Ninguém quer um

advogado que não acredite no seu direito, que seja cético em relação aos fatos que você narra.

É comum ouvir advogados mais antigos dizerem que os advogados não devem se envolver

sentimentalmente nos casos. Sou advogado há 15 anos e ainda não aprendi essa lição....

graças a Deus.

Além dos atributos profissionais como bom conhecimento e raciocínio jurídico, adequados a

área de direito que se pretende atuar, o bom profissional tem que acreditar em seu cliente,

tem que encontrar os caminhos jurídicos para a defesa dos direitos destes e, diferentemente

dos juízes, os advogados podem acolher o cliente, podem protege-los, podem se convalescer

da dor destes.

Por vezes clientes ou parentes destes choraram no meu ombro; por vezes despendi horas de

conversa para amenizar a dor ou sofrimento de um cliente. O advogado tem de ouvir, tem de

compreender, tem de apoiar. Se um advogado não é parcial a seu cliente ninguém mais o será.

Nem sei contar quantas vezes chorei junto a clientes ou parentes desses; nem sei quantas

vezes sofri com estes pelas intempéries de um julgamento injusto; nem sei contar quantas

vezes acompanhei o sofrimento pela total falta de celeridade do Judiciário, ou do juiz, ou da

secretaria, ou de qualquer funcionário ou autoridade pública, que tem por única parcialidade o

descaso com o jurisdicionado.

Felizmente, o trabalho de um advogado não é só formado de fracassos e na mesma medida da

dor a alegria me invadiu por inúmeras vezes.

Incontáveis vezes me entreguei aos abraços de felicidade de clientes ou parentes destes; por

diversas vezes bradei ao sucesso que alcançamos juntos. Ganhei presentes, ganhei

agradecimentos e sobretudo ganhei e ganho orações.

Sou um profissional do direito intenso, sinto e compreendo as dores dos clientes e também

com eles desfruto e comemoro as vitórias.

Sinto por aqueles que não podem se envolver e sinto por aqueles que acreditam não poderem

se envolver.

A vida é uma coleção de escolhas, permita-se ao envolvimento, ou limite-se a simplesmente ler esse texto.

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